quarta-feira, maio 06, 2009
TÃO PERTO E TÃO LONGE
O futebol português tem sido claramente dominado pelo FC Porto nos últimos 20 anos. Várias são as razões, umas mais polémicas que outras mas a qualidade de trabalho, a organização, o conhecimento e a liderança são claramente as razões que mais justificam tamanha superioridade.Benfica e Sporting têm alternado como 2º clube e entre ambos a estratégia desportiva é algo que incomoda muita gente, sobretudo a do Benfica.
Em Alvalade os seus dirigentes têm passado (e bem) a constante mensagem das dificuldades financeiras, facto que condiciona obviamente o investimento no seu plantel. Têm por isso apostado fortemente nos jogadores formados nas camadas jovens e que tantos e bons jogadores tem produzido.
O futebol português deve hoje muito ao Sporting. Não é a figuras como Carlos Queiroz que se deve fazer a vénia. É a quem dirigiu o Sporting a nível de dirigentes e treinadores que há que prestar esse louvor.
Paradoxalmente quase que diria que quem mais tem rendido são aqueles que ainda enquanto miúdos menos prometiam. Ronaldo, Nani, Moutinho, Pereirinha, Adrian eram miúdos que não eram as principais figuras dos juniores e que no entanto foram dos que tiveram maior impacto. Outros como Fábio Paim, Edgar Marcelino, Miguel Garcia, Poejo, e outros mais, eram as figuras ou tinham amplo destaque e no entanto são ou foram autênticos fiascos.
Mas há algo que também há que tirar o chapéu aos seus dirigentes: sabem aligeirar de forma excepcional os resultados menos bons. Quando falham logo aparece o argumento juventude, inexperiência, falta de maturidade. Com tudo o que tem de bom e de mau, o que é facto é que exige-se menos ao clube e mais concretamente ao clube de Alvalade.
Digo isto sobretudo em comparação ao Benfica. O Benfica é um clube de massas, muito exposto a noticias, invejas e com um universo de adeptos que continuo a dizer que só prejudica o seu próprio clube. A pressão é boa e benéfica mas tem de ser qb. No Benfica tudo é 8 ou 80.
A sua política desportiva não tem tido ao longo dos anos uma linha orientadora. Cada época é um novo rumo, cada época é um novo começo. Época após tem se apostado em 2 ou 3 figuras de nome o que faz elevar as expectativas ao máximo e quase sempre sem razão para isso. Eleva-se quase que a Deus um jogador como Aimar que não justifica minimamente tais elogios (que jogador tão fraco!) e depois exige-se a outros um rendimento que não podem ainda dar. Refiro me especificamente a jovens estrangeiros que o Benfica tem.
Essa é de facto a grande diferença em comparação ao Sporting. O Sporting e bem, aposta nos da sua casa. O Benfica vai buscar miúdos da mesma idade (18 a 20 anos) ao estrangeiro e paga bem por eles. Mas na sua essência são jogadores ainda por formar, que têm muito a evoluir e que há que dar tempo ao tempo. A única coisa que diferencia Di Maria, Maxi Pereira, Urreta, David Luiz de Adrian, Pereirinha, Moutinho, Yannick ou Carriço é a nacionalidade. Nada mais! Mas uns são defendidos, protegidos e alvo de compreensão e outros são alvo de uma exigência que por vezes é atroz.
Para quem vai para um país estrangeiro, tudo é mais difícil e que há ter a sua paciência. Repare-se o processo pelo qual passou Anderson e até Nani no Manchester United. Ou que passaram Higuain e Marcelo no Real Madrid. Foram contratados a peso de ouro, mas sabe-se que há que dar tempo ao tempo.
No Benfica tirando os casos Aimar´s, quase sempre jovens jogadores estrangeiros são desvalorizados e queimados. Vejo isso acontecer com Di Maria e Urreta como vi no passado fazerem a Marchena (agora é um dos capitães de Espanha) que diziam que não prestava quando estava no Benfica, tal como vi fazerem o mesmo a Stanic ou Mostovoi.
São de facto mundos tão perto um do outro mas tão longe no comportamento. Chamo de inteligentes ao universo sportinguista por saberem proteger os seus e por saberem passar a pressão para o outro lado e chamo de básicos (para não ofender) ao universo benfiquista por não saberem proteger os seus e por darem tiros nos pés.
Etiquetas: Benfica; Sporting
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